Vá ao teatro..
Publicação: 13 de Maio de 2011 às 00:00
Tádzio França - repórter
Educação é bom e todo mundo gosta. Mas na hora de pôr isso
em prática é que os problemas aparecem. Ocasiões de lazer
são as que mais evidenciam a falta de traquejo social de
uma parte do público para dividir espaço com outras pessoas.
Todo mundo tem um caso para contar de quando um celular
tocando ou um bate-papo fora de hora atrapalharam sua visão
de uma peça teatral, show, ou filme.
É difícil apreciar uma obra entre sons exagerados de mastigação,
pisadas no pés, gente exaltada aos gritos, buchichos, e silhuetas se
movimentando diante do palco/tela. Para alguns casos, há regras;
para outros, bom senso e educação. Com respeito e um pouco de
informação, a sessão de teatro, música ou cinema pode ser melhor
em prática é que os problemas aparecem. Ocasiões de lazer
são as que mais evidenciam a falta de traquejo social de
uma parte do público para dividir espaço com outras pessoas.
Todo mundo tem um caso para contar de quando um celular
tocando ou um bate-papo fora de hora atrapalharam sua visão
de uma peça teatral, show, ou filme.
É difícil apreciar uma obra entre sons exagerados de mastigação,
pisadas no pés, gente exaltada aos gritos, buchichos, e silhuetas se
movimentando diante do palco/tela. Para alguns casos, há regras;
para outros, bom senso e educação. Com respeito e um pouco de
informação, a sessão de teatro, música ou cinema pode ser melhor
para todos.
adriano abreu

Notei que a plateia aqui se habituou ao riso. Mesmo em dramas, vejo gente rindo nas
peças. No momento de chorar, as pessoas gargalham e atrapalham as outras
Pontualidade X jeitinho
Depois que a luz da plateia apaga e o palco se ilumina, ninguém
Depois que a luz da plateia apaga e o palco se ilumina, ninguém
mais entra. Em dez anos de atividades, a Casa da Ribeira ficou
conhecida pela pontualidade e rigidez com que trata a abertura
dos seus espetáculos. O público habitual entendeu e segue à risca.
“Nós incutimos isso na cabeça da nossa plateia, através do hábito.
Foi uma imposição sem forçação”, diz o diretor artístico Henrique
Fontes. Quando o público não é o de habitués, acontecem os
imprevistos. “Nos projetos para formação de platéia, com gente que
não frequenta teatro regularmente, as pessoas são mais desatentas
a horários, buchichos e celulares ligados. Como se vê, é questão de
hábito”, afirma.
A questão do atraso para o público da Casa da Ribeira já rendeu várias
A questão do atraso para o público da Casa da Ribeira já rendeu várias
situações inusitadas. “Certa vez, o filho de uma pessoa que estava se
apresentando chegou depois da hora. Não deixamos entrar, e o moço
ficou irritado. Após muitos gritos e xingamentos, ele ligou para o pai,
levou uma bronca dele e foi embora”, conta Henrique. Para o produtor,
infelizmente, a cultura do jeitinho brasileiro ainda é recurso muito
usado. “A maioria das pessoas finge seguir as regras, mas quando se
sente prejudicada pelo próprio erro, fica revoltada. Mas regra é regra,
serve para todos”, enfatiza.
“Temos regras. Mas as pessoas adoram não segui-las”, diz com humor
“Temos regras. Mas as pessoas adoram não segui-las”, diz com humor
Dione Caldas, diretora do Teatro Alberto Maranhão. Desde que assumiu
a diretoria, ela tem feito questão de fazer valer a proibição de entrar
na plateia com comida e bebida. Lanchinho, só no pátio externo.
“É uma medida importante para preservar as cadeiras, que podem
ser manchadas e sujas pela oleosidade. Os nossos indicadores de
assentos observam isso, principalmente nas peças infantis”, diz.
O centenário TAM possui a “vantagem” de ser bastante generoso com
O centenário TAM possui a “vantagem” de ser bastante generoso com
os retardatários: concede 30 minutos de tolerância para entrar após o
espetáculo começar. “Temos três toques de aviso. No terceiro, o ideal
seria que todo mundo já estivesse acomodado nas poltronas. Mas sempre
há aqueles atrasos habituais, não é? O ideal seria 15 minutos de tolerância,
mas vimos que é preciso de ainda mais tempo...”, fala. Dione lamenta
que não seja possível manter o silêncio que o ambiente exige em ocasiões
como shows de música, por exemplo. “A educação vem de casa. Não
temos controle sobre isso”, afirma.
O Teatro Riachuelo costuma prezar pela pontualidade. “Abrimos as portas
O Teatro Riachuelo costuma prezar pela pontualidade. “Abrimos as portas
cerca de uma hora antes da apresentação começar, para que o público
possa se acomodar e não causar tumulto”, afirma a assessora Juliana Corbari.
Muitas vezes, a exigência com a pontualidade e regras de comportamento
vêm do próprio artista ou companhia teatral. “Alguns grupos exigem
pontualidade total, sem tolerância para atrasos. O pessoal do ‘Melhores
do Mundo’, por exemplo, exibiu na abertura um vídeo que pedia às
pessoas que desligassem celulares e câmeras. Mas é difícil controlar isso.
Vai do bom senso de cada um”, diz. Segundo ela, a tolerância com atraso
é maior em dias de shows de pista.
Para quem está do outro lado da plateia, a situação pode ficar ainda mais
incômoda. O diretor teatral João Marcelino considera a falta de respeito em
vários níveis do espectador quanto a obra. “O atraso é ainda o que mais
me incomoda. A plateia chegando a conta-gotas é muito chato. Acho que
algumas pessoas querem chamar mais a atenção para si do que para o palco”,
afirma. Falta de informação também é erro recorrente. “Há gente que vai ao
espetáculo sem saber do que se trata. “Notei que a plateia aqui se habituou ao
riso. Mesmo em dramas, vejo gente rindo nas peças. No momento de chorar,
as pessoas gargalham e atrapalham as outras. Elas se acostumaram a ver
sitcoms na TV e acham que teatro deve ser assim. É pura falta de informação”,
analisa.
Mais uma vez, o diretor atribui o comportamento desregrado do público
Mais uma vez, o diretor atribui o comportamento desregrado do público
ao hábito. Ele exemplifica com o “Chuva de Balas no País de Mossoró”,
uma peça a céu aberto que ele dirige há dez anos. “A peça rola num
clima de quermesse, em frente à igreja, com famílias inteiras, gente
em mesas e comendo. Mas o clima é ótimo, elas se envolvem totalmente
na narrativa dramática. Tudo por questão de hábito. Elas sabem que
aquela é a hora do show”, explica.
Alexandre Maia tem 25 anos de produção de shows musicais e teatrais.
Alexandre Maia tem 25 anos de produção de shows musicais e teatrais.
Para ele, o público de teatro local amadureceu muito – menos na pontualidade.
“Teatro é uma coisa tranquila, apesar de que ainda é preciso aqueles 20
minutos de tolerância para os atrasados”, brinca. Algumas ocasiões ainda
exigem paciência, como nos shows com mesas. “Há sempre aqueles que
exageram um pouco na bebida e ficam soltas até demais. Mas isso se
resolve com uma conversa”, diz. Algo que costumava incomodar, as câmeras
com flash, hoje normalizou com as máquinas digitais. “O problema é quando
o artista exige nenhum registro. A Paula Toller, por exemplo, costuma ser
bem ríspida com quem a fotografa ou fala quando ela está cantando”, lembra.
A produtora Juçara Figueiredo considera que a qualidade do show seleciona o
A produtora Juçara Figueiredo considera que a qualidade do show seleciona o
público. Ela cita o Bossa Jazz, que trouxe o baiano Armandinho para tocar em
show aberto em Mirassol. “Um evento cheio, mas sem confusão. Cerca de
1.500 pessoas se divertindo, bem acomodadas, e curtindo sem problemas”,
relata. Quando o assunto é teatro, ela destaca o fato de que o público adora
poder interagir. “Por isso a plateia gostou tanto do DezNecessários, um
grupo que exige a participação direta da plateia. Quando o público sabe
o que ele vai ver, não dá problema”, diz.
Habituada a apresentações de MPB, a produtora Mônica McDowell acha
Habituada a apresentações de MPB, a produtora Mônica McDowell acha
que deveria partir das casas de espetáculo a exigência das regras de etiqueta.
“Acho que um pouco de rigidez funcionaria. O público sai e volta a hora que quer.
Deveria ser algo permitido só durante intervalos. Como não há regras, ele se
habitua a ser assim”, afirma. A produtora conta que já se pegou em várias
situações de conflito devido a horários. “Quem chega na hora, quer ver o
show na hora. Mas somos obrigados a adiar e esperar quem ainda não
chegou”. Um impasse mais que comum.
Para a pedagoga e professora de etiqueta social Laísa Palhano, é
importante usar a gentileza em qualquer ocasião. “Em teatro e cinema,
quando há incômodo, use a gentileza. Não dando certo, procure alguém
responsável pelo local, evitando discussões, constrangimento e mal estar.
A etiqueta tem o objetivo de trazer bem estar às pessoas”.
Etiqueta para um show melhor
Seja pontual. Procurar assento diante da plateia já acomodada é
Etiqueta para um show melhor
Seja pontual. Procurar assento diante da plateia já acomodada é
desconfortável para todos, e mais ainda para você;
Desligue o celular;
Informe-se antes sobre a peça/show/filme que irá ver. Melhora
Desligue o celular;
Informe-se antes sobre a peça/show/filme que irá ver. Melhora
sua percepção diante da exibição e evita decepções e interrupções;
Se for a um show musical, não interrompa o artista no meio da canção
Se for a um show musical, não interrompa o artista no meio da canção
para pedir “aquele sucesso”; cantar exige concentração.
Evite fotos e filmagens que produzam ruídos ou luz. Costuma atrapalhar
Evite fotos e filmagens que produzam ruídos ou luz. Costuma atrapalhar
o artista no palco;
Evite entrar com comida na sala de espetáculos. Pode sujar e danificar
Evite entrar com comida na sala de espetáculos. Pode sujar e danificar
as cadeiras e o piso;
Não coloque os pés em cima do encosto das cadeiras, mesmo que o local
Não coloque os pés em cima do encosto das cadeiras, mesmo que o local
esteja com poucos espectadores. É deselegante;
Se for rever peça de teatro ou filme, evite comentários para as outras
Se for rever peça de teatro ou filme, evite comentários para as outras
pessoas que ainda não as viram. Não seja inconveniente;
Em caso de peças e sessões infantis de cinema, os pais devem instruir
Em caso de peças e sessões infantis de cinema, os pais devem instruir
as crianças, antes de sair de casa, a evitar barulho em locais fechados,
para não chamar a atenção de outras pessoas;
quanto mais as crianças se familiarizarem com os espetáculos, mais
quanto mais as crianças se familiarizarem com os espetáculos, mais
tranquilas ficarão; uma dica: provoque um bate-papo sobre o tema depois
do espetáculo, na hora do lanche por exemplo);
Evite discussões e constrangimentos. Use da gentileza para resolver
Evite discussões e constrangimentos. Use da gentileza para resolver
alguns casos; se não der resultado, procure algum responsável
(gerente, diretor, funcionário) pelo local.
Fonte: Tribuna do Norte, Natal/RN